Cuidando do Equipamento  

 

Marcelo Zsigmond (Ziggy)
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Para manter o equipamento de mergulho sempre em boas condições de uso e para aumentar sua vida útil, algumas práticas bem simples devem ser adotadas. São apenas pequenos cuidados, mas que podem evitar surpresas desagradáveis de última hora. Afinal, não há nada mais frustrante do que chegar ao local de mergulho e não poder descer porque o material não se encontra em ordem.

O primeiro passo da manutenção preventiva é, de volta do mergulho, retirar todo o equipamento da sacola e deixar de molho alguns minutos em água doce. Após o "molho" devemos enxaguar bem todo o material com água corrente e pendurá-lo para que seque à sombra. Mas isso não é tudo. Além desse procedimento básico, alguns outros itens merecem cuidados especiais durante a lavagem.

Regulador 

1. Tampa do primeiro estágio

2. Entradas de água


Antes de mais nada, seque a tampa do primeiro estágio – também conhecida como "chapéu de bruxa" –, o que pode ser feito abrindo levemente a torneira do cilindro e direcionando o jato de ar contra sua base. Tampa sêca, encaixe-a corretamente, fechando a entrada de ar do regulador. Só então coloque o regulador de molho. Nunca faça isso com a entrada de ar aberta.

Depois faça com que água corrente entre por todos os orifícios de entrada de água do primeiro estágio para que seja retirado o máximo possível de cristais de sal.

O segundo estágio deve receber água corrente pelo bocal – saindo pelas válvulas de exaustão – e também pela parte frontal da "caneca" (a peça onde se encontra o botão de purga). Nesse ponto deve-se ter o cuidado de não apertar o botão de purga, pois do contrário a água pode invadir a mangueira e criar umidade no interior do primeiro estágio. O mesmo procedimento deve ser adotado para o octopus (segundo estágio extra).

Console e instrumentos

De tempos em tempos, retire o manômetro e o profundímetro ou computador do console para remover resíduos de areia e sal que normalmente ficam alojados por ali e lave bem – tanto o console quanto os instrumentos, inclusive bússola, caso se aplique – com água corrente. Deixe também a água correr por todos os orifícios existentes no corpo do computador, seja ele um modelo para ser usado em console ou no pulso.

 

 

 

Colete equilibrador
O colete deve ser muito bem lavado, tanto externa quanto internamente.

 

Para permitir que água doce entre em sua câmara interna basta apertar o botão do inflador oral – que deve ser posicionado de modo a estar mais alto do que o topo ou ombro do colete – e encostá-lo na boca da torneira. Solte todas as fivelas e gire o colete para todos os lados fazendo com que a água percorra cada canto da câmara. Infle o colete, eleve-o acima dos ombros, incline-o de maneira a direcionar a água para o lado da traquéia (que deve estar voltada para o chão) e aperte o botão de desinflagem, facilitando assim a saída da água, que deve escorrer totalmente. Repita a operação até que o interior do colete esteja livre de água salgada. Não esqueça também de deixar que a água doce corra com abundância sobre todas as válvulas e mecanismos de inflagem e desinflagem.

Cilindro

Deixe que corra bastante água sobre toda sua superfície, especialmente pela torneira e em volta do gargalo, áreas que acumulam maior quantidade de sal e outros resíduos.

Para aumentar a vida útil da carrapeta ("corinho" de vedação) da torneira e evitar vazamentos precoces, sempre gire a manopla com delicadeza até fechar o cilindro. Não é necessário apertar com força.

Nunca guarde o cilindro totalmente vazio. Assim você reduz as chances de penetração de umidade em seu interior e conseqüente corrosão ou oxidação interna .

Lembre-se também de verificar e substituir sempre que necessário o O’ring – anel de vedação – externo da torneira, a fim de evitar vazamentos na acoplagem do primeiro estágio do regulador. 

Máscara, respirador (snorkel) e nadadeira


Devem ser lavados para remoção do salitre e guardados em local seco – longe do contato direto com os raios solares, vale frisar novamente.

Ao contrário do que muitos pensam, não se faz necessário o uso de talco para preservar máscaras feitas de silicone e de outros materiais sintéticos e nadadeiras de termoplástico.

É comum ouvir dizer que as nadadeiras devem ser guardadas na posição horizontal para evitar a deformação das palas. Não há nada de incorreto nisso. Porém, é importante ressaltar que uma pala levemente curvada não compromete, em absoluto, o desempenho das nadadeiras.

Roupas de mergulho

Antigamente se costumava lubrificar os zíperes das roupas – que eram metálicos – com spray de silicone ou com grafite. Atualmente as roupas possuem zíperes plásticos que dispensam esse tipo de cuidado, bastando que sejam bem lavados e liberados de resíduos (como grãos de areia) para que não engripem. Já as roupas secas possuem zíperes mistos que de tempos em tempos requerem algum tipo de cuidado. Para lubrificá-los, normalmente se utiliza parafina.

Facas

De inoxidável, o aço das facas de mergulho só tem o nome. Basta sair do mar e não lavar a faca para encontrar no dia seguinte a lâmina cheia de manchas de ferrugem. Por isso, água doce nela.

Lave bem, com água corrente, tanto a faca quanto a bainha. Se sua lâmina for desmontável, deixe correr água também no interior ou no encaixe da empunhadura.

Após a lavagem, é bom secar a faca com um pano. Mesmo gotas de água doce podem provocar pequenas manchas na lâmina.

Lanternas subaquáticas

As lanternas subaquáticas são, via de regra, mais sensíveis do que muita gente possa imaginar e – para que sua vida útil se estenda por muitos e muitos mergulhos – necessitam de cuidados ainda mais especiais.

Maresia, umidade, borrifos... não há ambiente mais hostil para os delicados componentes e contatos de uma lanterna do que o mar. Por isso, evite abrir sua lanterna no barco – especialmente em embarcações abertas – durante a navegação. Caso seja realmente necessário fazê-lo, procure o lugar mais abrigado do barco e seque bem as mãos antes de tocar qualquer componente.

Evite tocar a lâmpada com os dedos. Utilize um pedacinho de pano limpo, papel higiênico ou papel toalha pois a gordura dos dedos faz com que as lâmpadas halógenas – que são a maioria – fiquem escurecidas, diminuindo sua capacidade luminosa e vida útil.

O refletor também deve ser poupado do contato com os dedos e respingos de água. Se for necessário limpá-lo, faça isso somente com jatos de ar comprimido. Do contrario ele ficará opaco, perdendo parte de sua capacidade de refletir, o que comprometerá o poder de iluminação da lanterna.

Remova e limpe os O’rings (anéis de vedação) periodicamente e lubrifique-os aplicando uma finíssima camada de graxa de silicone. Depois, recoloque-os em seus canais – que também devem ser limpos.

Procure levar a lanterna protegida em sua sacola de mão (aquela em que você leva sua toalha e roupas secas). Transportá-la dentro da sacola de equipamentos não é uma boa pedida, uma vez que a mesma está muito mais sujeita a impactos e solavancos na hora do embarque e desembarque.

Seguindo estas dicas à risca, você estará evitando um dos males que mais assolam lanternas de mergulho pelo mundo afora: a terrível "síndrome do mal contato eterno".

Lembre-se que todos esses cuidados ajudam a preservar a integridade de seu equipamento, porém não substituem a rigorosa manutenção preventiva anual pela qual reguladores, coletes e cilindros devem passar, em oficina especializada.